Caldas Naturais: aliadas da agroecologia no manejo da horta
- Géssica Araújo

- 15 de mar.
- 4 min de leitura
As caldas naturais são preparações caseiras utilizadas no manejo da horta e do jardim como alternativas ao uso de produtos químicos. Produzidas a partir de ingredientes simples e de fácil acesso, elas auxiliam no controle de pragas e doenças, além de contribuir para o fortalecimento das plantas.
O uso dessas preparações está diretamente ligado a práticas de manejo sustentável, comuns na agricultura familiar e na agroecologia, que buscam reduzir impactos ambientais, preservar a saúde do solo e manter o equilíbrio do ecossistema, além de reduzir os custos de produção. Ao priorizar soluções naturais, fortalece-se um modelo de cultivo baseado na observação, na prevenção e no cuidado com o ambiente.
Entre as caldas utilizadas no manejo agroecológico, algumas são feitas a partir de extratos vegetais e outras de origem mineral. Um exemplo bastante conhecido é a calda bordalesa, um preparo tradicional empregado principalmente na prevenção de doenças causadas por fungos. Seu uso correto contribui para a sanidade das plantas, especialmente em períodos de maior umidade, quando a incidência de doenças tende a aumentar. Também são utilizadas preparações feitas com ingredientes simples, como a calda de pimenta, o extrato de alho e a calda de leite, que auxiliam no controle de insetos e na prevenção de algumas doenças.
Mais do que uma técnica isolada, as caldas naturais fazem parte de um conjunto de práticas agroecológicas que inclui a observação constante da lavoura, a diversidade de cultivos, o manejo adequado do solo e a prevenção de desequilíbrios. O uso dessas preparações favorece o desenvolvimento de um olhar mais atento sobre as plantas, permitindo intervenções pontuais, conscientes e responsáveis.
Calda bordalesa: o que é e para que serve
A calda bordalesa é um dos preparados agrícolas mais conhecidos e amplamente utilizados tanto na agricultura quanto na jardinagem. Produzida a partir da combinação de sulfato de cobre, cal virgem e água, ela atua principalmente como fungicida e bactericida, oferecendo proteção contra doenças como míldio, manchas foliares e diferentes tipos de podridão. Além disso, apresenta efeito repelente sobre certos insetos, contribuindo para a defesa geral das plantas. Por ser de preparo relativamente simples e aceito nos sistemas de produção orgânica, tornou-se uma opção muito empregada por agricultores, horticultores e jardineiros que buscam métodos de manejo mais sustentáveis e menos nocivos ao ambiente.
Indicação: Recomendada para o controle de diversas doenças fúngicas, incluindo míldio, ferrugem, requeima, pinta-preta, cercosporiose, antracnose, manchas foliares e diferentes tipos de podridões, entre outras enfermidades que comprometem o desenvolvimento das plantas.
Repelente de insetos:
Ajuda a afastar cigarrinha-verde, cochonilhas, tripes e pulgões.
A seguir, apresentamos uma forma simples de preparo da calda, destacando os cuidados necessários para seu uso correto e seguro.
Receita da calda bordalesa
Ingredientes (Para 10 Litros de calda a 1,0%) | Quantidade |
Sulfato de cobre | 100g |
Cal virgem | 100g (ou 180g de cal hidratada) |
Água | 10 litros |
Modo de preparo:
Para preparar a calda bordalesa, comece dissolvendo 100 gramas de sulfato de cobre em 5 litros de água dentro de um balde plástico. A mistura se desfaz mais facilmente se o produto for previamente colocado em água morna ou deixado repousar de um dia para o outro dentro de um saquinho de pano fino, suspenso próximo à superfície da água.
Em outro balde, com capacidade para 10 litros, “apague” 100 gramas de cal virgem adicionando água aos poucos, até formar uma pasta cremosa. Depois, complete com água até alcançar 5 litros, formando o chamado “leite de cal”. Em seguida, despeje lentamente a solução de sulfato de cobre sobre o leite de cal, mexendo continuamente com uma pá de madeira para homogeneizar a mistura.
Antes de aplicar a calda, é fundamental verificar sua acidez para evitar a queima das folhas. O pH ideal da calda bordalesa deve ficar entre 8 e 9. O teste de acidez pode ser feito de forma simples: pingue algumas gotas da calda sobre a lâmina limpa de uma faca e aguarde cerca de três minutos. Se aparecer uma mancha avermelhada, significa que o pH está baixo. Nesse caso, acrescente aproximadamente 20 gramas de cal para corrigir a acidez e ajustar a calda para o nível adequado.
Com o pH adequado, coe toda a calda usando peneira fina ou pano ralo para retirar partículas que possam obstruir o pulverizador. A solução pode ser armazenada por até três dias. Para melhorar a aderência da calda nas folhas, é possível adicionar um espalhante adesivo natural, como uma colher de sopa rasa de açúcar (10 a 15 g) ou 200 ml de leite desnatado para cada 10 litros de calda.
Modo de usar: As doenças ocorrem geralmente em condições de alta umidade do ar. Portanto, quando as condições forem favoráveis às doenças, devemos fazer a aplicação semanal. Caso contrário, em 15 em 15 dias ou em uma vez ao mês.
Observação: Parar com a aplicação 10 dias antes da colheita.
Cuidados no uso e observação das plantas
O uso de caldas deve ser feito com atenção e responsabilidade, respeitando as proporções indicadas e evitando aplicações excessivas. Sempre que possível, recomenda-se testar a calda em uma pequena área antes do uso em todo o cultivo.
A aplicação deve ocorrer em horários mais amenos, como no início da manhã ou no final da tarde. A observação constante das plantas após a aplicação é fundamental para avaliar os resultados e ajustar o manejo.
Além disso, mesmo sendo preparações naturais, recomenda-se o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) durante o preparo e a aplicação das caldas, como luvas, óculos de proteção e roupas adequadas. Essa medida ajuda a evitar o contato direto com os ingredientes e garante maior segurança ao agricultor ou aplicador.







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