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AQUAPONIA: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER


A palavra “aquaponia” é derivada da combinação entre “aquicultura” (produção

de organismos aquáticos) e “hidroponia” (produção de plantas sem solo) e refere-se à

integração entre a criação de organismos aquáticos, principalmente peixes, e o cultivo de

vegetais hidropônicos. Apesar da aquicultura e da hidroponia serem práticas de produção

de alimentos com estudos realizados há mais de cinquenta anos, as pesquisas em

aquaponia somente começaram a apresentar seus resultados mais expressivos na última

década (LENNARD; LEONARD, 2004; RAKOCY et al., 2006; TYSON, et al. 2008;

ENDUT et al., 2010; ROOSTA; MOHSENIAN, 2012; LOVE et al., 2014; GODDEK et

al., 2015). A literatura acadêmica brasileira ainda é pobre e incipiente sobre tema

(HUNDLEY; NAVARRO, 2013; BRAZ FILHO, 2014; EMERENCIANO et al., 2015),

sendo que apenas nos últimos anos pesquisadores de algumas universidades brasileiras e

da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciaram suas pesquisas.

Paralelamente às pesquisas realizadas durante a última década, em muitos países

foi observado interesse crescente em aquaponia, tanto do ponto de vista comercial, onde

já há registros das primeiras iniciativas de sucesso, quanto em pequena escala, ou

residencial, também conhecido internacionalmente como “backyard aquaponics”, termo

em inglês para “aquaponia de quintal” (BACKYARD AQUAPONICS, 2012).



BREVE HISTÓRICO DA AQUAPONIA

Inicialmente por volta do séc XI e XII os Astecas já adotavam a Chinampas que

consistia em plantas cultivadas em ilhas fixas ou móveis em lagos rasos, sendo que os

dejetos eram dragados dos canais das chinampas e cidades ao redor, e utilizados para

regas as plantas. Esse é um sistema considerado por muitos como sendo a primeira forma

de aquaponia.

No Sul da China, Tailândia, Indonésia e Egito, já cultivavam arroz integrados com

peixes em áreas alagadas, estes também são citados como exemplos de sistemas

aquapônicos. Estes sistemas de policultivo existiram em muitos países do extremo

oriente, cultivando peixes como o “oriental loach” (parecido com a tuvira), enguia do

pântano, carpa comum e cruciana, assim como caracóis aquáticos, em campos de arroz

inundado.



CICLO DA AQUAPÔNIA

Figura 1: Ciclo da Aquaponia.










Fonte: Google Imagens.


O ciclo da aquaponia é explicado na literatura científica como a integração

funcional entre aquicultura, hidroponia e processos microbiológicos, formando um

sistema fechado de reciclagem de nutrientes que imita ecossistemas aquáticos naturais

(Rakocy et al., 2006; Goddek et al., 2015).

O processo inicia-se na produção de peixes, que excretam resíduos metabólicos,

principalmente amônia (NH₃/NH₄⁺), proveniente da digestão de proteínas. Em sistemas

convencionais de aquicultura, essa amônia é tóxica e precisa ser removida; na aquaponia,

ela se torna o ponto de partida do ciclo de nutrientes (Tyson et al., 2011).

A amônia é transformada por bactérias nitrificantes autotróficas, que colonizam

filtros biológicos e superfícies do sistema. Segundo estudos clássicos, bactérias do gênero

Nitrosomonas oxidam a amônia em nitrito (NO₂⁻), enquanto Nitrobacter e Nitrospira

convertem o nitrito em nitrato (NO₃⁻), uma forma estável e assimilável pelas plantas

(Hagopian & Riley, 1998; Goddek et al., 2015).

O nitrato e outros nutrientes dissolvidos (fósforo, potássio, cálcio, magnésio e

micronutrientes) são então absorvidos pelas plantas cultivadas em sistemas hidropônicos.

Diversos trabalhos demonstram que as plantas atuam como um biofiltro ativo, removendo

nutrientes da água e reduzindo a carga nitrogenada do sistema (Rakocy et al., 2006;

Lennard & Leonard, 2006).

Após a absorção desses nutrientes, a água retorna com melhor qualidade ao tanque

de peixes, fechando o ciclo. Esse reaproveitamento contínuo reduz significativamente o

consumo hídrico e elimina a necessidade de fertilizantes sintéticos, tornando o sistema

altamente eficiente do ponto de vista ambiental (FAO, 2014; Goddek et al., 2019).



PRINCIPAIS ESPÉCIES PRODUZIDAS

Figura 2. Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)








Fonte: Google Imagens.


Figura 3. Truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss)







Fonte: Google Imagens.


Figura 4. Pangasius (Pangasius hypophthalmus)








Fonte: Google Imagens.



PRINCIPAIS ESPÉCIES PRODUZIDAS: PANORAMA BRASILEIRO

Figura 5. Tambaqui (Colossoma macropomum)









Fonte: Google Imagens.


Figura 6. Pirapitinga (Piaractus brachypomus)








Fonte: Google Imagens.


A priori, dentro de um panorama tanto global quanto brasileiro, estas espécies

estão entre as mais procuradas para produção do ponto de vista de produtores rurais e

para consumo do ponto de vista do consumidor. Contudo, estas trazem grande

contribuição quando integradas em sistemas Aquapônicos, possibilitando aumentar a

eficácia de ambas as partes (plantas e peixes), visando também em grandes pacotes

tecnológicos e possibilidades de explorar uma renda duplicada para o produtor.



PRINCIPAIS ESPÉCIES DE HORTALIÇAS PRODUZIDAS NA AQUAPONIA

Figura 7. Alface crespa (Lactuca sativa)










Fonte: Google Imagens.


Figura 8. Rúcula (Eruca sativa)








Fonte: Google Imagens.


Hodiernamente, no contexto da produção de hortaliças em sistemas

aquapônicos, as espécies mais procuradas ainda sim são as Alfaces e Rúculas, visto que,

são plantas de fácil adaptação aos sistemas, também sendo fáceis de se encontrar no

mercado (tanto para o produtor quanto consumidor). Além disso, o sistema aquapônico

também possibilita a produção de espécies frutíferas como por exemplo: o Tomate

(Solanum lycopersicum) que vem se destacando principalmente no Brasil.



PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM SISTEMA AQUAPÔNICO

Dentre os materiais para construção de um sistema aquapônico, seja ele em grande ou

pequena escala, destacam-se:

• Biofiltros;

• Aeradores;

• Bombas Hidráulicas;

• NFT ou Floating;

• Mídias biológicas (principais estruturas para fixação das bactérias nitrificantes,

estes também podem ser substituídas por alternativas mais custo-benefício,

como argilas expandidas, conduítes elétricos ou tampas de garrafa pet);

• Tanques.


A seguir, as imagens de cada um desses elementos:

Figura 9. Biofiltro








Fonte: Google Imagens.


Figura 10. Aerador.







Fonte: Google Imagens

.

Figura 11. Mídias Biológicas.









Fonte: Google Imagens.


Figura 12. Bombas Hidráulicas.







Fonte: Google Imagens.


Figura 13. Floating.








Fonte: Google Imagens.


Figura 14. Tanques.







Fonte: Google Imagens.



PERSPECTIVAS FUTURAS PARA AQUAPONIA

• Sistema de baixo custo quando feito em pequena escala;

• Expansão como tecnologia de produção sustentável e urbana (aquaponia

residencial);

• Segurança Alimentar (redução no uso de agrotóxicos para produção das

hortaliças);

• Melhoria genética de espécies animais e vegetais.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Rakocy, J. E., Masser, M. P., & Losordo, T. M. (2006). Recirculating aquaculture tank production

systems: Aquaponics. SRAC.

Goddek, S. et al. (2015). Challenges of sustainable and commercial aquaponics. Sustainability,

7(4).

Tyson, R. V. et al. (2011). Reconciling water quality parameters impacting nitrification in

aquaponics. Aquacultural Engineering.

Lennard, W. A., & Leonard, B. V. (2006). A comparison of three different hydroponic

subsystems. Aquacultural Engineering.

FAO (2014). Small-scale aquaponic food production.

MORAES-VIANA, Gabriela de; SANTOS, Otilene dos Anjos; SANTOS-SILVA, Edinaldo

Nelson dos; BORDINHON, André Moreira. Status of aquaponics systems in Brazil: a systematic

literature review. Boletim do Instituto de Pesca, São Paulo, v. 51, e945, 2025. DOI: 10.20950/1678-

2305/bip.2024.51.e945.


 
 
 

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